Haiti: Crianças em orfanato brincam para esquecer a fome

Hearly Mayr
Fonte: ADRA Internacional [link original]
29 de janeiro de 2010

[Porto Príncipe, Haiti] "Nós não estamos pedindo banquete. Nós estamos pedindo comida", diz João Dubois, um homem que passa seus dias procurando alimento para dar a centenas de órfãos que vivem em Porto Príncipe.  

Enquanto a ajuda humanitária chegou a um número crescente de sobreviventes do devastador terremoto de 12 de janeiro, muitos órfãos não foram tão afortunados. Como o impulso da ajuda internacional que chegou ao país passou a populações desabrigadas e em torno das áreas afetadas da capital haitiana.
 
No Centre d'Accueil de Carrefour, um orfanato para cuidar 650 rapazes no  bairro do Carrefour, a necessidade de alimentos, água, saneamento e habitação tornou-se crítica, se não desesperadora.

Desde o terremoto, o abastecimento alimentar diminui dramaticamente e o acesso a água tornou-se praticamente impossível. As crianças agora dormem ao ar livre em campo aberto, com medo de que outro terremoto derrube seus dormitórios. Enquanto isso, o acesso ao saneamento é triste, há apenas dois banheiros funcionando para todas as crianças e funcionários do orfanato.

Os alimentos, em particular, continuam a ser a maior preocupação para Dubois, que, neste dia, recebe um carregamento de comida da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA). Desde o terremoto, a equipe foi obrigada a reduzir o número de refeições de três para dois, café da manhã e almoço.

"Nós tentamos manter as crianças ocupadas com jogos para que eles não pensem sobre a comida", diz Henri Bernard, 50, um membro do pessoal do orfanato, cujas responsabilidades incluem a aquisição de alimentos e materiais.

A situação no orfanato nunca foi pior, diz Bernard. Os alimentos que têm (arroz, milho, trigo, legumes e farinha) esgotarão em poucos dias. O combustível para alimentar uma bomba de água também está quase esgotado. "Há apenas cinco galões", diz Bernard.

Em um dia normal, a bomba, que fornece água para o orfanato, pode usar até 10 litros por dia. "É a água não é potável, mas é tudo que está disponível", acrescenta Bernard.

Antes do terremoto, o orfanato recebeu subsídios públicos para cobrir as despesas do dia-a-dia das operações, incluindo o combustível. No entanto, eles foram interrompidos após a catástrofe. Agora, Bernard diz, eles têm que depender de organizações como ADRA para receber alimentos e outras ajudas para cuidar dos filhos. O pessoal trabalha para fazer o melhor proveito da situação atual.

Em um pátio da escola a equipe de cozinha prepara uma refeição. Uma mulher mexe uma feijoada em uma panela sobre as brasas. Outros sentados ao redor de uma mesa amassam um pedaço grande de massa feita com farinha de milho. A massa é então atirada no ensopado que ferve."Eles estão fazendo uma refeição como essa, porque eles não têm arroz", disse Dubois. "Outros lugares não têm mesmo tanto".

Eddy Pierre-Louis, de 11 anos, chegou ao orfanato de Léogâne, a oeste de Porto Príncipe há dois anos. Sua mãe morreu e ele foi morar com uma tia. Seu pai trabalha em uma plantação de cana de açúcar, mas eles não se veem há anos. Ele fala com uma voz tímida quase inaudível."Os tremores o preocupam ao máximo", diz Dubois, que traduz palavras Eddy em crioulo.

Desde o terremoto, suas perspectivas, e as de outras crianças como ele, parecem cada vez mais sombrias. Enquanto outros tremores continuam a incutir o medo entre os haitianos, é a falta de comida e água que possam tornar a vida miserável para Eddy e milhares de órfãos.

Enquanto isso, os voluntários dedicados como Dubois continuarão a assegurar que os órfãos do Haiti não são esquecidos.

Segundo informa o pastor Günther Wallauer, diretor da ADRA para oito países da América do Sul, para se enviar doações em dinheiro através de cartão de crédito, o mais fácil é fazê-lo diretamente para a conta da ADRA Internacional utilizando o site www.adra.org onde existe um link diretamente criado para doações para as vítimas do Haiti.

Para fazer sua doação, clique aqui.

“Basta seguir os passos e a doação está realizada”, explica Wallauer.


Edição de Francis Matos












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